A Startup Conceitual

Distinguindo a Startup de outras empresas do mercado


Tendo adotado primordialmente a noção de uma cultura de conformidade legal é necessário, então, distinguir com maior precisão o que é uma startup, como requisito para o seu correto enquadramento jurídico.

Talvez tenha sido Paul GRAHAM, criador do Viaweb, o primeiro application service provider, quem forneceu as melhores pistas para conceituar uma startup: empresa feita para o crescimento rápido (www.paulgraham.com).

Como demonstra GRAHAM, não é a tecnologia, a inovação ou a forma de captar recursos que define uma startup, mas o crescimento (growth), pois as demais características estão associadas a esta qualidade essencial.

Distinguindo a Startup de outras empresas do mercado – “desenvolvimento eficiente de uma idéia nova”.

Para constituir uma startup é necessário que se diferencie de outras empresas do mercado, atendendo basicamente duas exigências: a) fazer algo que muitas pessoas querem; e b) atingir e servir a todas essas pessoas.

Ao fazer essa distinção, GRAHAM compara o Google com uma barbearia, diz: “uma barbearia vai muito bem no quesito a), mas falha no b)”.

Outro ponto, esse mercado deve ser atendido de forma original e eficiente. De acordo com GRAHAM, na referida comparação, uma barbearia compete somente com os outros barbeiros locais, enquanto que, para uma startup de pesquisa online, a competição é gigantesca e mundial. Para isso, uma startup deve desenvolver de modo eficiente uma ideia relativamente nova.

O tempo como qualidade essencial – “tempus fugit”

Contudo, será o fator tempo quem irá dizer se uma empresa recém criada é uma startup ou não. A presença dessa qualidade essencial, tenha se constituído para rápido desenvolvimento, pode ser verificada quando a empresa não obtém rapidamente o resultado almejado, situação que demonstra que a startup falhou ou a sua substância é diferente.

Ocorre que não há um indicador preciso do que é um crescimento rápido.

GRAHAM divide o crescimento em três fases:

1 – Período inicial de crescimento lentíssimo (ou nenhum crescimento), enquanto a startup se estabelece;

2 – Startup descobre o que o público quer e como atingi-lo: crescimento rápido;

3 – Startup se torna uma grande companhia: crescimento diminui drasticamente por conta dos limites mercadológicos.

A taxa de crescimento - “Se não consegues entender como funciona uma startup, entenda como funciona o crescimento.”

O empreendedor que leva a cabo uma startup deve sempre ter em mente sua taxa de crescimento. GRAHAM diz que 5 a 7% de crescimento de clientes por semana é um bom indicador. Estabelecendo uma taxa semanal e atingindo-a, os empreendedores devem estar satisfeitos. Ele chama isso de “otimização”, tornando a atividade empreendedora mais eficiente.

De acordo com GRAHAM, isso também leva a uma questão matemática: se a cada semana uma empresa cresce 5%, ela cresce 12.6 vezes em um ano. Ou seja, uma companhia que começa com 1000 dólares por mês estará, em quatro anos, fazendo 25 milhões por mês. O crescimento é exponencial. Pequenas variações na taxa de crescimento produzem grandes efeitos a longo prazo e esse é o diferencial das startups.

A Startup ao gosto dos investidores - “A combinação de fundadores, investidores e adquirentes forma um ecossistema natural.”

GRAHAM responde a duas perguntas fundamentais:

Primeira, por que investidores gostam tanto de startups? Obviamente, pelo retorno que dão. Eles recebem de volta o capital investido em forma de dividendos e quando a startup é vendida. Ademais, é um investimento fácil de controlar.

Segunda, por que compradores querem comprar startups? Porque é um bom negócio, por exemplo: o eBay comprou o PayPal, que representava, na época, 43% de suas vendas e, provavelmente, era maior do que seu próprio crescimento; mas também porque uma startup que cresce rapidamente pode ser perigosa como concorrente. Esse valor duplo das startups faz com que os compradores paguem excepcionalmente caro por estas.


Matéria publicada por Cluster News (em 21/08/2019)

Por: Luigi Contri Chies

Fonte: Corálio Gonçalves

https://clusternews.com.br/noticia/520/a-startup-conceitual